19 de mai de 2011

Acidente em Piracicaba : Laudo pode não apontar causa de queda


Bruno Bianchim Martim

O laudo da perícia que investiga a queda do avião bimotor Sêneca 1 na serra de São Pedro, que aconteceu na noite da última segunda-feira e matou quatro pessoas, pode não apontar a causa do acidente. O fator que motivou a queda pode não ser apontado porque o avião não possuía caixa-preta. A previsão é de que o laudo fique pronto em 90 dias. A informação foi revelada na manhã de ontem pelo presidente do Aeroclube de Piracicaba, Fernando Pavan. O órgão responsável pela perícia é o Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa), que deveria concluir na tarde de ontem as investigações. A remoção da nave é de responsabilidade do Aeroclube. Esse foi o segundo acidente com aeronaves do órgão em 76 anos.

“Ainda não temos indícios do que possa ter acontecido, mas trabalhamos com uma série de possibilidades. Pelo que sabemos até agora, não houve pane dos motores ou qualquer outro problema operacional”, disse Pavan.

No entanto, segundo ele, um dos fatores que pode ter contribuído para a queda da aeronave é o fato de o piloto que comandava o avião momentos antes da queda ser Jean Carlos Capelin, de São José do Rio Preto, e não o instrutor Jobson de Oliveira, responsável pelo voo – fato comum, já que o voo era de instrução. “Não acredito que tenha existido algum problema por conta disso. O Jean era um piloto experiente, já tinha mais de 200 horas de voo e se preparava para tirar a carteira para voos comerciais”, acrescentou. Jean possuía a carteira para voos privados e fazia o curso para se adaptar ao modelo multimotor.

De acordo com Pavan, um erro aconteceu por conta do aparelho Elt, usado para nortear o controle aéreo da nave nos postos da região, que não foi acionado. Isso ocasionou a desinformação na tarde de anteontem. Caso tivesse, o Elt deveria ter informado a queda do avião.

De propriedade do Aeroclube de Piracicaba, a aeronave havia passado por manutenção na última sexta-feira, de acordo com o vice-presidente do aeroclube, Thiago Braga. Ainda conforme ele, a aeronave havia realizado outras decolagens no final de semana. “Também não havia nenhuma dificuldade meteorológica que atrapalhasse o voo”, afirmou. “A remoção do avião ainda deve levar alguns dias, já que o local onde a aeronave caiu é de difícil acesso”, observou.

A QUEDA - Após desaparecer dos radares da Força Aérea Brasileira (FAB), o bimotor Sêneca 1 que havia decolado com quatro pessoas – um piloto instrutor e três alunos –, de Piracicaba com sentido a São José de Rio Preto, quando voltava para a cidade, caiu nas proximidades do Cruzeiro do Facão, na serra de São Pedro. O último contato feito pelo piloto, segundo a FAB, foi às 22h29, quando ele informou à torre de Pirassununga que já avistava o município de Piracicaba. Ainda de acordo com a FAB, os quatros tripulantes da aeronave – o piloto de Piracicaba e outros três alunos, um de Brasília, outro de Recife e um de São José do Rio Preto – morreram na queda. O corpo do piloto foi enterrado ontem, às 10 horas.

Dois aviões da FAB e o helicóptero Águia da Polícia Militar de Piracicaba trabalharam nas buscas, que tiveram inicio às 11 horas de terça-feira. O helicóptero da PM localizou os destroços do avião por volta das 15 horas, quando o Exército e o Corpo de Bombeiros começaram as buscas pelos corpos.